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Opinião | 31/05/20

Dr. Ricardo Leão 

O tabaco e as doenças urológicas

Conheça a influência que o tabagismo tem na nossa saúde, principalmente no desenvolvimento de tumores urológicos.

Sócio honorário

da AC RIM

Sabemos que os hábitos tabágicos têm uma influência negativa na nossa saúde e está intimamente relacionado com o desenvolvimento de vários tipos de cancro. No entanto, raramente associamos o tabaco ao aparecimento de doenças malignas urológicas. Fique a saber que existe uma forte relação entre estas duas componentes, perceba como e de que forma pode prevenir o seu aparecimento.

​A nicotina contida no tabaco é altamente aditiva e o uso do tabaco é um importante factor de risco para doenças cardiovasculares, respiratórias, diferentes tipos de cancro e outras condições de saúde debilitantes. O tabaco é uma das maiores ameaças à saúde pública mundial, há 1.1 biliões de fumadores em todo mundo, e esta epidemia é causa de oito milhões de mortes por ano, das quais 1.2 milhões são indivíduos não-fumadores expostos passivamente.

Quando falamos de tumores urológicos, o tabaco é factor de risco para o cancro da bexiga e cancro do rim. Simultaneamente, os fumadores têm também maior risco de morte por cancro da próstata e piores resultados após o tratamento desta doença.

O cancro do rim é menos frequente que o cancro da bexiga e da próstata. Corresponde a 3% de todos os cancros diagnosticados, ao que correspondem cerca de 1300 novos casos por ano em Portugal. Devido ao desenvolvimento de meios de diagnóstico por imagem (sobretudo ecografia) a grande maioria dos cancros do rim são diagnosticados em fases iniciais da doença, quando ainda não existem manifestações clínicas. O fumo de tabaco é na realidade um factor de risco importante para cancro do rim, sendo responsável por um em cada quatro casos diagnosticados; está associado a maior número de novos diagnósticos e os fumadores têm maior taxa de mortalidade.

Estima-se que sejam diagnosticados mais de 500.000 novos caso de cancro da bexiga em todo o mundo e 2400 em Portugal, o que correspondem cerca 1100 mortes no nosso país.

O cancro da bexiga é uma doença com impacto significativo na vida dos doentes. Pode manifestar-se por queixas urinárias e presença de sangue na urina — que devem motivar uma procura imediata de ajuda médica. Se para muitos (aproximadamente 70%) a doença quando diagnosticada é de baixo risco, para outros a doença é já avançada e de mau prognóstico. É crucial estar atento a manifestações clínicas da doença (sobretudo em fumadores) como o aumento da frequência urinária e a presença de sangue na urina. Se apresentar estes sinais, não adie. Os hospitais estão disponíveis para o receber, com toda a segurança, seja para uma consulta, realização de exame ou cirurgia.

O tabaco é o factor de risco mais importante para o desenvolvimento de cancro da bexiga, sendo responsável por cerca de 50% dos casos. A idade em que os indivíduos começam a fumar está negativamente associada ao risco de desenvolver cancro da bexiga, ou seja, quanto mais jovem maior o risco de desenvolver esta doença. É curioso observar que o risco de desenvolver cancro da bexiga não parece estar linearmente associado com a carga tabágica, ou seja, os fumadores pesados (mais de 15 cigarros por dia) não têm risco significativamente maior de desenvolver cancro da bexiga quando comparados com indivíduos que fumam diariamente 5-10 cigarros; isto significa que mesmo para baixo consumo de tabaco o risco de desenvolver cancro da bexiga é muito significativo.

Muitos ex-fumadores admitem que o risco de desenvolverem cancro da bexiga diminui drasticamente após cessarem os seus hábitos, porém o risco nestes indivíduos (mesmo 20 anos após cessação) é sempre superior ao dos não fumadores. Em doentes com cancro da bexiga a cessação tabágica parece diminuir o risco de recidiva e deve ser sempre incentivada. Tal como em outros cancros a exposição passiva ao fumo do tabaco está também associada a um aumento significativo de desenvolver cancro da bexiga, embora com menor risco que em fumadores activos.

O risco de desenvolver cancro aumenta cumulativamente em fumadores, por isso, programas eficazes de cessação tabágica e políticas de esclarecimento devem objectivamente incentivar à evicção do fumo de tabaco em toda a população, sobretudo em indivíduos jovens de forma a diminuir o risco de patologias oncológicas graves.

Lembre-se que vai sempre a tempo de mudar os seus hábitos de vida! Se é fumador, procure ajuda clínica e agende uma consulta de cessação tabágica.

 

Cuide de si e de quem o rodeia.

Ricardo Leão,

Urologista do Hospital de Braga, do Hospital CUF Coimbra

Professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

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